Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Que mundo é esse que vivemos?

Eu não gosto de falar sobre essas coisas, me deixa deprimido. Mas é algo que me deixou profundamente chateado nesse fim de semana.

Tava eu lá todo pimpão no sofá, seguindo as recomendações médicas e assistindo um filmeco. Quando resolvi ver o noticiário.

Tive a infelicidade de pegar uma matéria sobre balas perdidas e o depoimento de um pai que perdera a filhinha de menos de um ano nessa situação.
Imediatamente lembrei de uma música que dizia o seguinte:

"Atualmente é comum
Não olhar para o lado
Balançar a cabeça:
"Hoje eu tô sem trocado"
Arrancar a cabeça
Por um simples trocado
Todo mundo é suspeito
De puxar pro seu lado
É bom desconfiar
De ser desconfiado
Não vou desconfiar de você
Até que prove o contrário
Nunca tive essa grana
Posso ser assaltado
Escondo minha carteira
E eu faturo trocados
Dessa vida urbana
Eu fui posto de lado
Mas que cara estranho
Parou do meu lado
É bom desconfiar...
Construí essa casa
Assentando tijolos
Mas uma bala perdida
Pode estourar meus miolos
É bom desconfiar..."

Caracoles... confesso: chorei por aquele pai e sua filhinha. Chorei porque tenho uma princesa, por ter uma vaga idéia do que ele sentia. Por me sentir pequeno diante daquilo tudo.

As vezes dá vontade de mudar de cidade, de país, mas a violência está em todos os lugares, não há fuga, apenas as opções de luta ou conformismo.
Talvez eu esteja sendo paranóico, coração mole... Talvez ciente do mundo que tenho a volta.

Mas o que eu indago é o seguinte: Que mundo é esse que vivemos?
Viajado por Railander Uóston às 11:57
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3 comentários:
De DôeDinha a 29 de Outubro de 2007 às 13:55
Difícil de calcular uma dor dessa, né xodó?! Quem tem um(a) “pequeninho(a)” dentro do coração, talvez, chegue perto de fazer uma idéia de uma perda assim. Até pensar nisso dói, machuca e mexe demais. Inconcebível imaginar a nossa vida sem o melhor pedaço da gente! Lembrei de um texto muito bom de um poeta carioca, a quem tenho grande admiração. É grande, mas vale a leitura:

"NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI
Eduardo Alves da Costa

”Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.

Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!"

E o nosso coração tem que gritar ainda mais alto: BASTA! NÃO PODEMOS SER CUMPLICES E VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA!


De Antonio Ximenes a 29 de Outubro de 2007 às 15:37
Caro Ébrio.

Edifiquemos dentro de cada um... um mundo ideal... um lugar de paz.

Alimentemos em nossas almas o desejo de mudar o mundo.

Cada um.

Esperemos a conseqüência.

Abraço.


De ana paula a 29 de Outubro de 2007 às 20:23
Sei exatamente do que vc está falando, da sensação que vc sente. Tento me colocar, cada vez mais frequentemente, no lugar de mães e pais que sofrem pq perderam seus filhos para a violência...

Também tenho vontade de pegar meu filho no colo e sumir daqui...

Beijos.


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